quinta-feira, 21 de maio de 2009

limpo (senhorita confusão)

trazia na mãos uma nova alma
um degrau a menos nos pés
prometeu sáliva ao invés de cúspi
minha cabeça raspada em homenagem a buda
não iluminou nada
ao invés disso
deixei meus cabelos crescerem
sua mão na minha
trazia um cheiro forte de erva
graça alcançada através da dor
rolamos pelo lixo
sentindo pena de cristo
drogados tentando aliviar as chagas
que insistiam em brotar nos calos
a loucura parecia serena
numa conversa particular com lúcifer
uma linha
um copo de uisque sem gelo

agora junto da força benéfica
estou pronto pro milagre das águas
sem fumaça, nem despedidas
ela foi morar na floresta
brotando em flores
novas vidas
obrigado senhorita confusão
por me tornar sexy também.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

futurograma

os homens lhe sorriem
com pescoço de coruja
todos querem saber seu endereço
ou pelo menos uma pista
de como lhe encontar
eu sei
enquanto passeio num feriado
por suaves esquinas sem canto
um sorvete derretendo nos dedos
sinto desprezo, amor
e paz nos ossos
desinteressado em jogos de guerra
o mar pergunta pro oceano
onde estão as ondas
ele responde
todas em sua cabeça
agora todos os homens querem saber seu endereço
mas nem todos tem coragem de afogar-se
agora todos os homens querem saber seu endereço
mas é preciso perder
para lhe encontar
nenhuma novidade sobre o valor dos diamantes
no ar o fogo
nem parece inverno
quando a missa acabar
ainda precisaremos rezar
pela alma do padre
as crianças entendem
agora todos os homens sabem nosso endereço
porém nada mais poderá nos separar
desprezo,amor e paz nos ossos.

domingo, 10 de maio de 2009

a cura

a vida é feita de pequenos cacos e reinícios
vem que eu te mostro um atalho no meio do caminho
contente em adquirir uma reliquia do passado
não traga mais nada nos bolsos
ande por trás do olho baixo
no rastro da luz da aurora
o homem mais alto no topo do mundo
a esquerda do gigante
e a direita do mestre
não pode fazer nada
apenas assistiu-nos passar
uma cidadezinha a oeste do mapa
com pessoas que dormem acordadas
nada poderá salvar-nos além do abandono
iremos sentir saudades e soluçar juntos
a procura do novo reino
o sol morto em minha nuca
e a lua colada na sua testa
você ainda sabe dançar na ponta dos pés
você ainda sabe aquela canção de ninar
a cobra troca de pele a cada hora
enrolo meu braço na sua cintura
arranho os céus com trocadilhos
tropeçaremos nas faixas
e mergulharemos nas poças
uma cidadezinha ao sul do mapa
nunca poderá prender-nos
precisamos devorar cidades
e modelar paraísos
levar o espiríto no mar
nosso amigo morreu dormindo
as moscas não irão mais nele pousar
nosso amigo morreu rindo
os pés dele não irão mais pousar
precisamos descobrir horizontes
uma cidadezinha esquecida no mapa nunca iria nos salvar
nosso reino não tem nome
devoraremos cidades
queimaremos bandeiras
enquanto mascamos chicletes
tudo é tão normal.