domingo, 10 de maio de 2009

a cura

a vida é feita de pequenos cacos e reinícios
vem que eu te mostro um atalho no meio do caminho
contente em adquirir uma reliquia do passado
não traga mais nada nos bolsos
ande por trás do olho baixo
no rastro da luz da aurora
o homem mais alto no topo do mundo
a esquerda do gigante
e a direita do mestre
não pode fazer nada
apenas assistiu-nos passar
uma cidadezinha a oeste do mapa
com pessoas que dormem acordadas
nada poderá salvar-nos além do abandono
iremos sentir saudades e soluçar juntos
a procura do novo reino
o sol morto em minha nuca
e a lua colada na sua testa
você ainda sabe dançar na ponta dos pés
você ainda sabe aquela canção de ninar
a cobra troca de pele a cada hora
enrolo meu braço na sua cintura
arranho os céus com trocadilhos
tropeçaremos nas faixas
e mergulharemos nas poças
uma cidadezinha ao sul do mapa
nunca poderá prender-nos
precisamos devorar cidades
e modelar paraísos
levar o espiríto no mar
nosso amigo morreu dormindo
as moscas não irão mais nele pousar
nosso amigo morreu rindo
os pés dele não irão mais pousar
precisamos descobrir horizontes
uma cidadezinha esquecida no mapa nunca iria nos salvar
nosso reino não tem nome
devoraremos cidades
queimaremos bandeiras
enquanto mascamos chicletes
tudo é tão normal.

2 comentários:

Gabi. Amarello disse...

gostei, e gostei muito.

Edson Palma disse...

Sempre apreciei os teus poemas meu chapa, dá no meio!

( :

Até mais...