terça-feira, 16 de setembro de 2008

vale dos sinos

enquanto as nuvens passeiam no vale
o homem de ferro enferruja
não deveria ser assim
pensei que homem de ferro não chorasse
grande bobagem sem fim
homem de ferro chora sim
por causa de seu coração pesado
o amor para o homem de ferro é tão complicado
ele tem sempre que ter muita fé
e estar em pé para o que der e vier
não importa quantos parafusos perdeu
o inimigo não dá folga
dispara artilharia pesada
quantas marcas em sua armadura
enquanto as nuvens passeiam no vale
o homem de ferro enferruja
e a menina com olhos de óleo demora
e o inimigo não dá folga
pensei que o homem de ferro não amasse
grande bobagem sem fim
homem de ferro ama sim.

domingo, 24 de agosto de 2008

as aventuras de Del Fuego em sua mini-bike

ganhei a coroa do rei

agora estou me sentindo

divinamente lascivo

andando nessa mini-bike

o fogo consome meu coração

estou seguindo o sentido lisérgico das cores

noite que vem ainda não sei

só quero correr, correr

e procurar quem tenha pulmões

tão bom quanto os meus

há tempos a dor adormeceu

só quero o que é meu

nada além, nada além

de meu bem.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

clarice

ouvi profecias sobre o retorno de saturno

naquela conversa com as formigas

quando eu nem sabia onde chegaria

os dias passavam sem tempo pré-determinado

peguei um daqueles pensamentos maus

e transformei-o na cura

dessa vez vou parar

de bater nas portas erradas

gritando com Deus

feri quem não devia

poderia ter sido minha salvação

mas Preferi mais um dia da minha juventude

agora que você não me alcança mais

sinto-me em paz

humano reconstituído de fortalecidos ossos

nada mais me consome por dentro

observando o movimento dos astros

esquento-me no vapor de verão

que tem animado o inverno

é cedo, a noite ainda é virgem

suavemente penetro na ausência de suas cores

mais um beijo da brisa em minha boca

ela cala meus olhos

e aumenta meu desejo

de não ficar triste

meus amigos são a extensão de minha alma

nem sempre posso estar por perto

mas quando saio encontro uma porção deles por aí

eles sorriem

recuso alguns entorpecentes

minha vida tem mudado constantemente

penso em Clarice Lispector

e no quanto eu gostaria de ter experimentado

seu sexo.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

no topo

pela porta aberta
deitada a luz acesa
cobre a escuridão da sala
enquanto as mensagem não chegam
divirto-me no parque de cristo
a chuva abençoa a terra
a noite já não é tão cinza
ponha mais amor em minha mente, menina
toque minha loucura
mesmo que não volte
mesmo que não seja
hoje tudo me parece
filtrado por cristais
calmo, observo raios
e o azul-marinho liberto no céu
ouça essa canção e saiba
que está em casa
no alto da montanha, comigo
podemos comer doces
colher maçãs
e nunca mais usar veneno
observando as papoulas
esquecendo da morfina
com os corpos dourados pelo dia.
(Del Fuego)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

ventos

estava gostando do jogo
um sentimento bêbado
que me ajudava a voar
acreditando em dúvidas
resolvi esperar
naquela esquina comprando sono
paguei pra ver bem mais
do que podia enxergar
afaste-me com sua ausência
na falta de um conselho
deixo seus olhos de vidro quebrarem
antes de entrarmos no palácio
esqueço, rasgo, incinero
com medo não se conquista o trono
adeus, adeus, adeus
até que o amor
supere os cem anos de solidão.

juventude sônica

seu gosto não vai evaporar tão fácil
nos cantos da cidade homens vendem
mulheres emprestam
isso te agrada tanto quanto dinheiro

senti o pressagio do amor
e o medo da surpresa
escondido recarrego minhas esperanças
vou lhe dar uma estrela
pra você não ficar no escuro
nem dormir com uma arma
isso pode estourar seu coração
vamos pra um lugar seguro
destruir nossos pesadelos

juventude é tudo o que temos
não se corte nos cacos do passado
logo ganhará um espírito novo
quente como fogo
para livrar o seu corpo do frio.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

seis da manhã

levante-se jovem cavalheiro

enquanto a imaginação não chega

dê noticias suas ao espelho

jogando pérolas aos porcos

ela distrai seu desejo

você foi tão forte o quanto pode

sem culpas, nem arrependimentos

nem todos acreditam em seus ensinamentos

escolha uma cama e durma no chão

manteve-se acordado pra despertar os relógios

deve estar cansado.

terça-feira, 8 de abril de 2008

senhorita cereja



hey senhorita cereja
o frio está se aproximando agora
o sono vem chegando pra visitar seus olhos
pensamentos que se confundem com sonhos
será que ainda está acordada
você parece o primeiro raiar da luz
a melhor parte do meu dia
mesmo estando tão longe
posso lhe sentir como um desejo que gostaria de realizar
os animais dormem na sua cidade natal
aqui não é tão calmo quanto lá
tem sempre alguém pedindo proteção
ou se sentindo só em algum cruzamento
perdido no trânsito sem saber pra onde ir

faça um café forte
e coma suas bolachas preferidas
aquelas da vaquinha
enquanto conversa comigo
estou me sentindo estranho
dentro do meu corpo
tem um coração batendo atrapalhado
mas ele gosta da senhorita
me leve a casa de seus espirítos
quero saber no que você crê
quando o peso do céu parece mais forte que eu
suas mensagens surgem como nuvens
flutuando em minha cabeça

desperto quase sempre no mesmo horário
com o sol suspirando em minha janela
sou uma lembrança de ontem
de quando minha existência tinha poucos anos
e todas as manhãs transpiravam glória
hoje tenho de ser forte
mesmo quando estou cansado
hey senhorita cereja
ponha um de seus sorrisos em minha boca
tudo o que sei agora
é que me sinto estranho.

segunda-feira, 24 de março de 2008

memória fotográfica

Ane Arduin

brasas, colchões, camas, lençóis

toda noite que sonho contigo

Ane Arduin

alucinações, pecados, castigos

toda vez que tento te esquecer

Ane Arduin

carrega uma glock 9mm

ao lado do coração

seus olhos são duas poças de sangue

olhos felinos em transe

agora me parece que tudo o que penso

sigo e persigo

está relacionado a Ane

e aquela sua poesia que li no trem

Ane Arduin memorizei teu nome

inventei teu corpo

representando toda vontade que tenho de

arder sobre, dentro e fora de tua pele.

quinta-feira, 20 de março de 2008

reino animal


consegui entrar com minhas botas sujas no paraíso
escapei da balança e do julgamento
estou procurando minha menina
ela também é louca como eu
mexe os dedos e sacode a cabeça enquanto dança
somos animais, somos humanos
somos tudo o que permitem nossos sonhos
se nossas botas estão sujas é por que nunca paramos
enquanto andávamos na noite um homem sussurrou
dizem que Jesus não é bom
mas eu nunca disse isso
belas adormecidas não querem embarrar os sapatos
dormem numa caverna escura solidão
minha menina apenas cuida pra não pisar nos ratos
por isso todos se apaixonam por ela
seu suor derrete pecados
enterrado nela descarrego minha energia
cova úmida , lábios rosas
queimamos, cheiramos, bebemos
tudo o que nos foi ofertado
vivemos o dia sem temer a sombra do errado
se nossas botas estão sujas é por que realmente viajamos
habitamos um tempo sem horas
essa é grande parte do segredo
usar calçados confortáveis e caminhar sem medo
nossas botas estão sujas por fora
porém, nossos pés ainda estão perfeitamente inteiros
pra desfrutar a natureza de todas redenções.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

dois senhores

minha amiga acredita em deuses sintéticos
é linda por fora
envenenada por dentro
pratica o bem
só não sabe a quem
serve a dois senhores

minha amiga tem um homem tatuado no braço
o mesmo que está morto
dentro do seu peito
lembranças más
de um futuro perfeito
baratas sobre a cama
sono sem desejo

minha amiga quer reconciliar-se com Deus
redescobrir a vida que perdeu
desligar a luz negra da noite
cicatrizar as marcas do açoite

minha amiga quer uma nova chance
é impossível servir
a dois senhores.

vivo

vivo nesse mundo corrupto e confuso

ao alcance de todo julgamento

nada de amores

só encontro álibis

pra passar a noite

eu dentro de você

crimes na cidade

gosto do seu jeito

sua excentricidade

estaremos por aí

em todos os bares

atrás de meditação nessa cidade baixa

longe da confusão nessa cidade baixa

seus movimentos sexys

sempre me satisfazem

quando você me disse

tenho medo do escuro

entendi muito bem

já fui criança

eu sei

o herói morre na boca do delator

muito antes do último golpe.

mother love

o mãe
eu acho que estou no céu
será que existe mesmo Deus
cuidado com os carros
olhe pros dois lados
não olhe pra trás.

ecografia

as sombras gêmeas não existem mais
mentiras matam mais do que armas quimícas
um suicídio parece seguro
agüente firme mais um pouco
poderiamos estar voando
não fosse sua covardia
depois da guerra
sobrarão apenas baratas e manivelas

soldados para ferir
quem deveriam salvar

todas as palavras soam falsas
e mesmo assim
eu gostaria de falar
te amo.

mística

muita loucura na cabeça
espero que você não esqueça
o caminho de volta pra casa

o bate, bate das plaquetas
aonde está minha jaquetá
e as passagens de volta pra vê-la

quando a saudade bate forte
quando a saudade aperta o peito
eu vou pra longe, bem longe daqui

mas você nunca está lá
então por que esperar
a revelação.

para judas

agora tudo parece estar errado
não vejo mais sutileza em seus atos
somente pensamentos desnecessários
refletido em seus olhos está o mal
o mesmo que poderia ter evitado
seu destino é algo além de inferno e cigarros
espero que você lembre do caminho usado

por aqueles que preferiram vencer
por aqueles que preferiram viver
em busca do seu paraíso exato

estimulantes pra tentar esquecer
fantasmas que insistem aparecer
evolua menso quando todos acharem
que você está errado
a loucura e Deus andam lado a lado
espero que você lembre do caminho usado

por aqueles que preferiram vencer
por aqueles que preferiram viver
em busca do seu paraíso exato

seu destino é algo além de inferno e cigarros.



flor de lótus

drogas e lágrimas sábado a noite
o amor é mau
eu não entendo
satisfação único pecado
estou matando o tempo

caos,caos
a lótus nasce na lama
caos,caos
meu corpo jovem dorme na grama

corações em chamas
vidas vazias
amores atômicos
Deus para mim
e o demônio pros outros

caos,caos
a lótus nasce na lama
caos,caos
mu corpo jovem dorme na grama.





meia noite e vinte


ela ainda está me vendo em suas orelhas
eu ainda a estou vendo no escuro
suas pequeninas asas não suportaram o peso
por isso o amor tem me consumido
por isso todo esse amor tem me consumido
ela ainda guarda meu retrato
no fundo de uma gaveta
estamos envelhecendo eu e meu sorriso tímido
por isso o amor tem me consumido
por isso todo esse amor tem me consumido
prometo mais uma vez
não fazer mais juramentos
ela pediu-me para não esquecê-la
como farei isso
por isso o amor tem me consumido
por isso todo esse amor tem me consumido.

fones de ouvido

em baixo da escada
rodeada pelo espírito infantil de suas bonecas
ela quer evitar a claridade
rolando pelo espaço
sem encontrar seu lar
ela sonha com um garoto sensível
que não irá usá-la
que ira ser sincero
trazendo vida e força para o seu coração

hoje os ossos pesam
e a carne falece
tudo é impreciso
todos a conhecem por sua beleza
ninguém a conhece por seus sentimentos

alguém caiu no bueiro
quando foi salvar os ratos
depositando seu esforço
em lugares errados
ele permanece triste
sem expressão nos olhos
uma fagulha de sol ainda o visita
e reconstitui um corte
trazendo conforto para o seu coração

hoje os ossos pesam
e a carne falece
tudo é impreciso
todos o conhecem por sua loucura
ninguém o conhece por seus sentimentos

noites altas
cidade baixa
pessoas afogadas
ouça o silêncio e sua batida compassada
dois corações apressados buscando o encontro .

especialista

ela pensa
que vou estar sempre polindo seus calcanhares
e seguindo seus passos
tive escravizada minha esperança
mas sou um especialista em grandes fugas
tenho atravessado o mundo assim
a procura do mar e do sol
mentiras inocentes
sorrisos amassados dentro dos bolsos
enquanto um anjo me controla com o canto dos olhos
e também aguarda minha alma
existe algo mágico encoberto
somos tudo o que temos

um quase amor com sabor de gelo
ela se apaixona tão fácil
é capaz de iludir muitos ao mesmo tempo
sempre tão disposta a servir sua graça
seus prazeres são como cadeados
estou compreendendo isso
seu rosto perdeu a graça
sua beleza se desgasta
na medida com que ela suavemente
aperta as trancas
mas sou um especialista em grandes fugas
tenho atravessado o mundo assim
mesmo sem ser esperto.

27

pode me sentir
não tente me compreender
as chamas queimam e vibram dentro de minha mente
despejo meu orgulho e você me diz
que devo estar louco
sabe onde foi parar minha cabeça
é difícil duvidar de si mesmo
escuridão é tudo o que vejo
todos se divertem comigo
mas ninguém parece ser capaz de me ajudar
esqueça a razão
sou um paranóico
sou apenas isso um maldito paranóico

pode me julgar
você também vai me tratar
me por em um vidro
depois me apresentar a seus amigos
o amor é sub-real
o ódio é mais profundo que a pele
solidão é tudo o que tenho
todas se divertem com isso
sabem que vou fundo
mas nenhuma parece ser capaz de me ajudar
esqueça a razão
sou um paranóico
sou apenas isso um maldito paranóico.

primavera corrompida

embaixo do sol enterrei minha alma
no inferno faz frio
nada mais nasce por ali
vem ela com suas sapatilhas querendo pisar
com suas mãos querendo desenterrar
meu anjo afogou-se na própria sede
embaixo do sol enterrei meus segredos
no paraíso faz calor
ninguém para pra ouvir
vem ela com seu amor querendo florir
com seu sentimentalismo querendo descobrir
meu anjo devorou suas asas

siga com seu peso leve
abandone minha alma de chumbo
sou mais pesado que o ar
mais pesado que tudo
siga seu caminho esqueça que passou por aqui
sou mais triste por dentro
o mais triste que há
cansei de desculpas
cansei de me desculpar
não queira se enterrar.

black sabbath

passamos o primeiro obstáculo
pra chegarmos até o palácio
evite pensar no que ficou pra trás agora
esqueça a dor e o cansaço
esqueça o frio e a mente
acostume-se com a falta de certas pessoas
tentaremos não ser tão sensíveis e drogados
descarte suas teorias
vamos viver puros.

juliet

se você quer desprezo
por que não está rastejando
tenta se comportar como lady
mas acaba sempre com um homem
que lhe promete liberdade
e uma nova chance
pra apagar com as lembranças
gostaria de te amar
mesmo com pouco tempo
arrancaram seus caninos
e domesticaram suas narinas
eu te amo entenda
não despeje mais nada em suas veias
queimei meus pergaminhos
você precisa de mais sol
precisa pedir menos desculpas pra si mesma
precisa encontrar amor fora da química
gostaria de te amar
gostaria que você acreditasse um pouco
eu te amaria mesmo sem tempo.

invisível lágrima

homens também choram
só quando ninguém vê
escondem seus olhos
e seus sentimentos
homens também choram
enquanto fingem sorrir
escondem-se na hora de sangrar
quando sentem saudades
de algo importante
homens também choram
quando não podem sonhar

até as rochas sentem-se sozinhas frente ao mar
e também choram quando a noite caí
um coração solitário deixa a alma vazia
é difícil ser forte , sem desgastar-se

homens também choram
por pessoas que não puderam ficar
quando o tempo exige que se siga
mesmo sem ter alguém pra acompanhar
homens também choram
por mais que não deixem notar
é difícil ser forte , sem desgastar-se.

vide bula

diga as palavras mágicas
puxe umas notas
tenha tudo ao alcance do nada
um inocente não faria melhor
auréolas e aspas
segredos e uma mente confusa
ainda fosforescente
sua adolescência chegou ao fim
comprou um carro
dirigindo embriagado sente-se um macaco
onde estão os amigos pra dividir o combustível
vontade de parar com as alucinações
mais açúcar no café amargo
sonhando no trabalho
o fim do mês está próximo
uma nova experimentação também
quer morar num laboratório
num tubo de ensaio
descobrir um placebo que sirva como medicação.

brain storn

tudo parece maravilhoso
mas cuidado
ela tem ouvidos de delator
e lábios de traidor
sempre com um comprimido escondido na manga
interrompendo destinos
cheira coca a noite toda
oferecendo as coxas
e o decote
essa história não começa bem
ela vai dançar na mesa
e seus homens irão lhe roubar
aquilo que ela não tem
enquanto você baba por atenção
almas gritam desesperadas
querendo ouvir um boa noite
para lacrarem as pálpebras
nenhum sonho apenas incompetência
e uma lista de amores mal resolvidos
sua imagem bonita não é real
um beijo e o veneno está dentro de sua boca
mas você não se importa
acha que está feliz.

novas peças

pare com isso
não faça uma tempestade
dentro de meus olhos pacíficos
deixe eu ser seu favorito
não complique tudo com seus pesadelos
a liberdade deixou de ser crime
estou tranqüilo
pare de desenterrar fósseis
amores antigos de cores pálidas ressuscitados em suas palavras
divida seu doce comigo
não olhe pro chão com medo do tombo
use meu pára-quedas
use minha lanterna verde
roupas velhas não nos servem mais.

tempos modernos

a televisão está falando
pra alguém que não quer ouvir os rumores
o quarto está colorido apesar da pouca luz
a janta está sendo servida
aumento a música
sei que nunca ouviu esse som
vamos improvisar então

não perca o ritmo agora
deixe apenas o instinto
depois que acabarmos
ainda haverá sol lá fora
viajaremos sem bagagem
fugindo da boca do leão

depois a lua e as estrelas
por cima de nossas cabeças
luzes amarelas esquentam a cidade
guarde o fogo apenas para dois
o mundo quer permanecer no escuro
garotas bobas procuram por um príncipe
a rainha quer um rei
e não uma ilusão.

pista livre

noite passada
fui feliz mesmo estando por baixo
não mude de lugar comigo
seu balanço, seus cabelos
minha mente não precisa imaginar
agora sei que entende
nenhuma razão pra estarmos aqui
que não seja a pura vontade
de mexermos juntos
você sabe que eu não falo muito
mas nos comunicamos bem
nessa nova linguagem

encantando os espelhos
fico feliz vendo você por cima
da sexta-feira ainda temos o mormaço
saindo das roupas
divirta-se sendo minha namorada

as pessoas disseram que devíamos beber mais com eles
mas não suporto mais o gosto do álcool
prefiro ficar na minha insana sobriedade
beba mais se quiser
beba mais se lhe faz bem
sei que precisa esquecer algumas coisas
pra poder se divertir

trocando as pernas e as chaves

o elevador parece pequeno pra nós dois
posso entrar agora
com essa vontade de nunca mais sair dessa desordem

então vamos continuar dançando
sem precisar de sapatos.

próxima estação

visite-me agora
tenho que lhe dizer
fiz o certo
mesmo tendo errado
a ausência de sua companhia será sentida
onde estiverem meus pés
minha cabeça parece estar do outro lado
vou buscar minha alma
e ouvir o mesmo som
como um carpinteiro superstar
minhas mãos agradecem
e se recolhem num silêncio
parece que vou me acostumar por mal
a esse lugar longe de casa
um sentimento que serve como sonífero
pras horas de desespero
de volta a estação da luz.

intervenção

se você resistir suavemente
vou exalar de seus poros
sinta o sabor de meu amor
cobrindo todas suas partes
essa pode ser a última viagem
podemos chegar juntos então

te batizei novamente
agora vou te levar
pra andar destilando a dor e o medo
baby,baby,baby
você tirou o vermelho de meus olhos
me fez renascer
agora vou retribuir com minha loucura
sua intervenção divina.

del fuego

baixar a cabeça
descansar meu destino sobre a mesa
no meu rosto mergulhado em imagem
nessa xícara de líquido escuro
nada me faz acordar
não preciso mais dormir
sou aquela máquina
sei que posso ser o homem também
o fogo ilumina a solidão
qual luz ilumina o fogo
minhas mãos, estou preocupado com minhas mãos
sem elas não escalo
e o meu coração insiste em bombear sangue
pare um pouco agora
uma navalha e um suspiro
são meus únicos tesouros ultimamente
vigio a lagarta pra que a borboleta não fuja.

peter & mary

se o homem aranha chora,
a Mary Jane também
eles estão sensivelmente interligados
o coração de herói
e a alma de princesa

o homem aranha é o único herói que
não decepciona quem ama
eu assisti o super homem
deixar a Louise morrer
sei disso, desde quando era muito
criança.

rocinante


subsolos fervilham
enquanto as pedras dormem
a verdade virá quando o sol for a cabeça da colina
desça do seu salto
aproxime-se da água
navegue nessa areia comigo
é primavera em Moscou
vamos colher flores
e acertar os passos
esse calor é tão estranho
parece formigas em meu sangue
se eu não fosse dislexo
escrevia um pedido pro Papa
mas receio incomodar mais uma Santidade
sou apenas um homem que traz velas dentro da mochila
quase sempre só eu brilho no escuro.

piel

como disse um Jorge
e cantaram três mutantes
por ela eu ponho o coração
a frente da razão
é como acordar o sonho
e ir deitar nos pés de Deus
eu pensei que o céu fosse um incomodo
procurei o calor nas externas luzes de mercúrio
esperando encontrar a vênus em um falso espaço
de alucinações e noites perambulantes
arrastando correntes e mascando cacos de vidro
e se agora preciso de uma garrafa
é pra prender a fada por temer que ela voe
e leve o seu corpo
quero ficar tranqüilo
sussurrando palavras ao seu ouvido
dissolver com minha língua e minhas mãos
sua monotonia
ser sua segunda pele.

luz celeste

as sete partes do mesmo segredo
nas primeiras horas da manhã
o sol está trincando as nuvens
mas não há calor pela cidade
uma luz dança nos meus pensamentos
com corpo e alma de mulher
o vento diz ao mesmo tempo
que passou por você
enquanto parecia ser uma estrangeira
diferente de todos dessa idade
às vezes sentindo-se velha demais
não adianta querer retroceder o destino
a juventude é linda em seu corpo

astros arrependem-se também
o erro pode ser um acerto
você é a única que pode atravessar a praia sem pisar no chão
não é estranho que seus pés doam pela manhã
ma s pra mim é estranho voar
sem saber pra onde

será que as pessoas pensam antes de falar
talvez por isso eu não entenda nada
perdido nas nuvens
tento saber mais
e acreditar às vezes
que ainda sei onde estou
apesar de me olhar e não encontrar
nada mais, além de uma radiante
luz celeste.

silêncio

enquanto desejo ser seu sorriso
seu último pensamento antes e durante o sono
meu amigo me persegue com facas e sorrisos metalizados
eu à vejo tão longe
se apresentando em meu futuro
falanges magnéticas, minhas mãos
estão atraindo outros corpos
nessa boca que me devora em desespero
amanhã serei um vulto em suas lembranças

alguém está se mudando pra outra cabeça
seguem tentativas
e a distância vai me apagar de novo
como acontece toda noite
eu vou desaparecer
não esqueça o que eu disse
sinceridade em suas mentiras

maria do século X X I

chegando no fim da rua
encontro maria
ela traz uma seringa com seu próprio veneno
tem a pele fina
e o esqueleto fraco
mas conserva no sorriso um ódio vivo

ela amou ao mundo e foi inútil
passou a sentir frio
quando abandonou-a , seu próprio filho

agora ela precisa de algumas respostas
mesmo sabendo que o verdadeiro inferno é o vicio
sempre mais para encurtar o caminho

suicídio pensamentos em penumbra
genocídio ,quer matar todos os filhos
num bordel sua primeira dose extra

unhas sujas e mal trapilhos
desenhos e mapas
planejando sua última fuga
será a noite, na próxima lua argelina
em suas veias abertas
o inicio da última rota
via sacra
pra reconhecer a mãe
apenas seu único filho.

13

o fim tem seu nascimento
sempre há uma terceira chance
e como um carpinteiro
reconstruo meu mundo

não se esqueça de dizer boa noite
e me acordar com um beijo
mais uma nova vida

sempre me senti solitário
hoje vou adormecer em você
deslizando em seus lábios
renascendo em seu corpo
esse é o ritmo do meu amor

um pouco destrutivo
mas compreenda, estou aprimorando meus sentimentos

toda vez que me ver parecerei um pouco mais distante
na verdade estou cada vez mais perto
do que possa imaginar.

marlene gospel

ela me disse que está com os ossos cheios de ar
e com muito medo de voar
pra algum lugar mais alto

as flores estão morrendo
ela não consegue se livrar do jardim
aguardando um homem de ferro
que prometeu aparecer para um chá

muitas esperanças ela ainda guarda
mas a grama não está mais tão verde
ela vai acabar se tornando um parasita
quando perceber não precisar de asas
talvez seja tarde
mas ela ainda vai ter vontade de voar
e conhecer o lugar onde nunca pode estar

conversando com amigos que dizem apenas frases repetidas
procurando novidade em tudo isso
ela finge não saber que é diferente
e está cada vez mais insuportável aceitar falsas verdades

enquanto esquenta o chá
a chaleira lhe assovia isso
vamos voar
em todos os lugares ela parece ouvir o tempo desgastando
toda a matéria até o fim.

Jeff Buckley

nadando de botas
a noite é uma ótima hora para dormir
tudo que almejo é um pouco mais de sono
meu humor mudou novamente
as estrelas parecem meu lar
ainda existe um filete de brilho em meu coração
paz nunca ouve
papai venha nadar comigo
perdoe a si mesmo
apenas nade com sua criança
você não viu meus ossos apontando sob minha pele
então eu crescia sozinho
ninguém me ensinou o segredo das águas
por isso fui aprender
o quanto elas são fundas
muito tarde
essa noite.

paciência

um pouco mais de paciência
eu nunca disse que seria fácil
ela ainda prefere ficar dormindo
esperando que algum sonho nasça
o mundo parece não esperar

tudo o que você tem são cigarros
e roupas novas enfumaçadas
há muita coisa que eu gostaria de lhe dizer
lugares onde poderíamos ir, gastando pouco dinheiro
usando palavras ofensivas
tudo o que temos é vontade

e um saco de coisas que não alcançamos
é difícil ser simples quando os outros lhe tornam complicado
vi você desistir quando a cura chegou
você não acreditou
você quer apenas compreender tudo
pegou suas posses e mudou o caminho.

rancho

tempo de espera
ninguém quer passear no rancho com a grama molhada
fiquei trancado por mais de três horas

dentro da minha cabeça
com o fazendeiro insone
plantando e colhendo coisas sem cor
mais uma chance pra chamar Deus

olho pela janela e está cada vez pior
estou levando pedras pra cima das nuvens
meus braços estão cansados
minhas mãos estão pesadas
não vou mais trapacear

um tiro curto e barulhento
pólvora e guloseimas
senhor fazendeiro liberte os animais
quero me juntar a eles
não tenho mais pretensões
sou selvagem
comporto-me como um louco
mais uma canção com voz de trovão
a natureza me chama,ela é a única que sabe meu nome.



dentes

uma noite quase perdida
flertando com todas que queiram morder meu coração
um pouco de prazer nessa dor
alguém pra ferir e outro pra amar

caio sempre na mesma armadilha
tapete vermelho, botas embarradas
ela manchou minha camisa com sangue

língua na boca
dedos molhados são a chave pra essa festa em teu corpo
bem melhor se o lugar for apertado
essa dança precisa de par, dentes, e balanço
descomprometimento com horas e regras.

março

não tenho culpa se minha mente fala comigo
em algumas noites como flores
em outros dias mastigo vidro
não tenho culpa se minha mente fala comigo

rodeado de certezas que serão dúvidas
as quais levarei pelo resto da vida
não tenho culpa se minha mente fala comigo

boa-sorte respingada de uma boca maldita
sim, você sabe do que eu preciso
não tenho culpa se minha mente fala comigo

então separe alguma coisa pra eu
destruir o que estou sentindo
não tenho culpa se minha mente fala comigo

quero ficar alto
até tocar um teto bendito
não tenho culpa se minha mente fala comigo

você me chama de louco, mas não quero ouvir isso
você não sabe o que se passa comigo.

chaplin

lutando contra meu orgulho
sendo maior do que tudo
comprimido em um espaço menor
pra sempre é muito tempo
todo o dia é melhor
é tudo o que temos
nascendo
morrendo
vivendo
viajando
fertilizando
gozando
inventaram a lei da gravidade
é proibido voar
a era das máquinas chegou.

o banquete do senhor amarelo


meu banquete
carniça e lixo
que como em talheres de ouro
mastigo todo o verme
bebo todo o vinho da melhor safra
sinto-me embriagado de horror e poesia
meu único convidado é um mendigo
sorrindo sem dentes no outro extremo da mesa

todos que pela sala passam
recusam nossa comida
ignoram nossas profecias
mas roubam os talheres.

almas gêmeas

ventrículo esquerdo
ventrículo direito
coração partido em dois
o sol está partindo
fazendo arder as feridas
é por isso que compartilhamos nossa morfina

não sei mais sonhar
queria ser como você e viver na superfície
vagando sobre o gelo
amostra grátis de pesadelo urbano
tem um cadáver na sala, que atende pelo seu nome
ele não usa nada,acha que está limpo
mas está¡ vivo graças aos tubos
na realidade somos assim
viciados usando roupas compridas
para proteger e disfarçar as feridas

somos almas gêmeas
compartilhando trocados e seringas
pra comprar mais e mais
morfina.

companhia riograndense de tristeza

não sou mais super-herói
novamente sou humano
meu sonho de infância
e todos meus poderes foram embora no caminhão da mudança
no asfalto molhado
caiu minha capa verde-esperança
das viagens espaciais sobrou apenas poeira cósmica
que misturada as lágrimas
brilha mais do que estrelas no escuro infinito
do meu quarto.

confissões de calibã


ela fala muito
talvez não saiba de nada

sua convulsão,seu gardenal me irritam
não tenho mais paciência
alimente os criados
depois a tranque no quarto
vou fugir pro mato
um dia me mato
livro-me de tudo
enquanto ela revira os olhos e contrai os músculos

não quero mais,vou me separar
deixa-la se babando sozinha
nossos filhos serão deficientes
pequenos monstros iguais a nós
habitantes desse mini-mundo
cheio de mentira, ilusão e sono.

cosmospolitano


estrelas no espaço vão passando
os raios de luz estão sonhando
com leves passos vem chegando
até ficar junto de mim
faz tanto tempo, e ainda tenho medo
de conversar com o fantasma de minha casa
quando durmo, ele acorda
quando acordo ele corre
tem tanto pavor do sol
bate forte o seu peito,até consigo escutar
não dormi durante a noite
pra ele viver durante o dia.

recado

viva intensamente o presente
porque no futuro ele será passado

desejo

minha língua lépida em lavas
desliza seu corpo ao léu
vejo a boca trejurar que me ama
trepidando de puro desejo
minhas mãos mastigam suas coxas
as janelas embaçadas
o frio se aquece na face da amada
nossa cama em brasas
temos nosso próprio inferno sagrado
enquanto os anjos abençoam nosso amor
soltando um infinito brado,rumo ao nada.

aço cirúrgico (dom)

despenca um raio incisivo
profundo,intravenal
derrama na correnteza toda sua fúria
então ondas eletromagnéticas
fluem pelo seu corpo contraidamente relaxado
Repentinamente,todo o oceano vira um mar-de-rosas
inativo e vivo

o oxigênio das algas não supre a asfixia
e, na superfície a alma inteira compartilha o mesmo dom
o de andar sobre as águas

rei sol

a caminho do nada
na estrada encantada
buscando poder ir além
ela não agüentou a dor
abandonou seu homem
no círculo de fogo
ele estava tentando fugir da noite eterna
e do amor sem créditos
no jardim inodoro
aguarde,feche os olhos
ela também está perdida
porém ele a buscara
num triunfante resgate
com seu novo corpo de sol
conte para alguém
sobre o que ele falava
e a angústia salvara aquilo que resta

livre e jovem
de que valem correntes de ouro
essa floresta é toda sal
atravessam por mim
perturbantes acontecimentos

no começo do verão
o paraíso removerá as cinzas
é quando junto-me aos lagartos.

dinastia

alucinógenos estimulantes
prazer e prejuízo
licitas ou não
fumar pra pensar
cheirar pra acordar
beber,beber
tudo isso por quê
quero ter a coragem de um covarde
uma limitada mente expansiva
crer em minha própria mentira
placebo ,exílio

ascenção e queda.

sincronia


exorcizar fantasmas

preciso de alguém que saiba rezar

depois apagar as velas e dormir no escuro

inspirar seu hálito

deixe-me quieto

respeite minhas vozes

sozinho estou mais completo

do que com você ao meu lado

reflexões sobre sua pele

flexões sobre você

estão me deixando triste

seu brilho está se apagando

essa noite a lua ficou muda diante de nós

lembra o quanto ela falava antes

nosso mundo está virando plástico

estamos perdendo a sincronia

estou saindo sem par nas fotos

só nos resta uma estranheza íntima agora.


fire

eles estão passando em minha cabeça
os mesmos pensamentos confusos
acreditar ou escapar
acender noite a dentro
não quero passar frio de novo
quero seu fogo
comer seu fogo
misture suas chamas em mim
pelos poros evaporando energia dentro de ti
sei que unidos podemos mais

não desperdice meus sentimentos
vou elevar sua alma
te invadir frente ao altar do amor
prazer em te conhecer
e será sempre uma honra comer seu fogo.

madame farina

coração só
sob o céu de todos os santos
divindade em desespero
lábios azuis
pele gelada
ela voltou

esguia serpente dourada
deixando seu rastro branco no espelho
segure-me novamente entre os dentes
alimente-me pelos buracos da tampa

botas vermelhas
ela vai me levar pra passear
evito seu perfume místico
depois de quebrar seu encanto
descanso,repouso, depois de dias enfim consigo dormir.

pop star


pássaros voam no subsolo
asas quebradas
passos largos
não me sinto mais um star
seu cheiro me faz falta
talvez confunda tudo
e amanhã nem lembre
longo suspiro entre seus cabelos
voltar agora
sem saber por que
fabrique um sentido
no subsolo pássaros pousam
asas quebradas
bico selado
esperando que flores nasçam das pedras
não lembre
o belo star destituído
escuro, minhas mãos têm olhos
perfeitamente ouço
a confusão
te amo e não poderia ser diferente
afinal insetos não mentem.

destruction


lágrimas cristalizadas
tempo curto
corpo leve
abraça-me a morte
tentando sufocar a vida

protejo meus pulsos
não uso relógio
olhando figuras
procurando ajuda

velas e questionamentos
meu leve reflexo me abandonou
tudo parece bruto
amor em poucas palavras
insensí­vel perante a reprise
uma noite calcificando os ossos
poço fundo distorce minha imagem
afogado em segredos
minhas mãos continuam vazias
e minhas veias tristes
pouca sorte para quem decidiu perder

homem que nada na Lua
e se queima ao sol
peixe que se afoga
o sal parece agora tão doce.

sueño


espírito de fogo derreta minhas mãos

para que eu possa acalentar seu rosto

toque com sua língua doce meu coração salgado

caminho difícil ,dias improváveis

agrupando letras em formas

dislexia

pensamento caótico

beleza que ilumina vitrais traz a luz até minha mente

joelhos tocam o solo

brotam entre meus dedos possibilidades

domingo pródigo sempre volta por acidente

um estranho me disse

expire mais inspire menos

vejo saída e proteção em teu sorriso

olhos que me guiam no escuro escorregue comigo pra dentro desse novo mundo

liberte-se, desgoverne-se, desperte pra dentro do sonho

novamente comigo.



último ato



sexta feira sem maldições

eu responsável pela alma dos cordeiros

com a chama que arde por de trás dos olhos

penso,talvez o amor seja apenas cicatrizes e ossos

remoendo engenhos e derrotando gigantes

o tempo enlinhou meus pés

a vida é a única certeza pós-morte

com tantas estrelas no céu não sinto o escuro

por mais depressa que chegue essa noite

antes que meu peito derreta

e verta sangue sob minha camisa

rosa na lapela, roupa bonita, pele pálida

enquanto amigos pousam sobre mim a última primavera

a terra me espera, querida.